O farol que nos guia

Os riachos são crianças traquinas que escorregam pela falésia sem esperar por nós. Despedem-se do funcho e das ervilheiras, rolam entre os seixos da praia e nadam no espelho de água que reflecte o sol de Verão. Ficamos a vê-los partir, e quando o astro-rei decide que é a sua vez de ser criança começando a jogar às escondidas, regressamos ao Cabo da Roca.

Subimos até ao nosso destino em solo português contudo, cruzamos fronteiras: França, Alemanha, Rússia, e paramos na Polónia, que simpaticamente me auxilia na viagem. Sugestões de itinerários, alternam com elogios ao cantinho lusitano, bem como a vontade de regressar para conhecer mais.

“Sabem a que horas parte o último autocarro?”, questionam. Solícitos, oferecemos boleia: “Vamos agora para Lisboa, querem aproveitar?”. Porém, antes que qualquer resposta tomasse forma, o sol cansa-se de ser criança, e resolve cumprimentar-nos alegremente. Divididos, olham para o Atlântico que brilha orgulhoso, depois para nós portadores de tentadora oferta. Adivinhamos de imediato qual será a resposta: “Obrigada, mas vamos ficar mais um pouco”.

Não insistimos: existem certos momentos que precisamos de saborear demoradamente para levar no coração quando regressamos a casa. Inspiramos maresia e retomamos a subida com calma. No fim, o carmim do farol que nos guia, tem um cantinho reservado no calor do nosso peito.

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