Malásia: a união dos povos faz a força da nação

“Quando damos algo a outra cultura com as nossas expectativas vai correr mal de certeza”, diz-me Stevens no caminho para a Vila Cultural de Sarawak. Fala por experiência própria: foi casado com com uma índia americana que voltou para a reserva onde nasceu depois de não se adaptar à vida da cidade e consequentemente, sabe a importância de preservar as tradições nativas.

Tomei conhecimento, dias antes, da diversidade étnica da região de Sarawak, no Bornéu: as tribos Iban, Bidayuh, Orang Ulu e Melanau, bem como Malaios e Chineses, convivem lado a lado em harmonia. Na esperança de aprender mais sobre estas etnias dirijo-me à Vila Cultural, no sopé do Monte Santubong.

Neste local aninhado entre as montanhas, encontram-se réplicas das casas de madeira típicas das várias tribos, onde aprendo mais sobre as suas especificidades: construídas sobre estacas, vários metros acima do chão como forma de resistir às cheias, o seu interior consistia usualmente numa área comum e quartos individuais para as várias famílias. Fico a saber ainda, que em alguns casos cada habitação alberga uma comunidade inteira, que por vezes chega a 500 pessoas de três gerações! Assisto também, a demonstrações de trabalhos manuais: mulheres malaias tecem panos tradicionais bordados a ouro, cestas dos Bidayuh ganham forma, e ninhos de andorinha são processados na Casa Chinesa.

Nesta última, a responsável pela casa oferece-me uma explicação detalhada do delicado processo: homens corajosos recolhem os ninhos do tecto das grutas, com auxílio de andaimes de bambu; em seguida, são deixados durante a noite ensopados em água, que é trocada mais duas vezes no dia seguinte (de modo a retirar odores); por fim as penas, insectos e outras impurezas são retiradas com uma pinça. O objetivo é ficar apenas com a matéria amarelada que será utilizada para fazer sopa: a saliva da andorinha. “Desde melhorar a imunidade, a tratar problemas pulmonares, existem inúmeros benefícios de consumir este produto!”, remata ela, ávida por me transmitir conhecimento, e não deixar perder a sabedoria do seus antepassados.

Despeço-me, grata por todos os ensinamentos recebidos, e preparo-me para assistir ao ponto alto da visita: uma demonstração de danças tradicionais, onde um membro da tribo Orang Ulu prova as suas habilidades de caça com uma zarabatana, ao rebentar alguns balões que se encontram a uma distância bastante considerável.

Termino a minha visita passeando pelo jardim da Vila. À beira do lago está uma ponte de bambu: aceito o desafio e tento atravessa-la sem cair. Assim que dou os primeiros passos, sinto-me como uma artista de circo a tentar manter o equilíbrio e penso que a nação malaia é como esta travessia: um equilíbrio constante entre vários povos que é necessário preservar, para que as tradições do país não se afundem.

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