Toda a gente que conhecemos tem algo para nos ensinar

“Os desejos deste mundo são como a água salgada. Quanto mais bebemos com mais sede ficamos”, diz-me Faisal enquanto me conta que foi burlado por alguém ganancioso. Sentado ao meu lado no autocarro, partilha parte da sua história quando viajamos de Penang para Kuala Lumpur. Revela-me que o seu sonho de entrar no negócio da confecção, na Malásia, é dificultado por causa da sua nacionalidade: paquistanesa. “O Paquistão não é um país de terroristas e tem muitas coisas boas. Mas os media apenas divulgam a informação que lhes interessa”.

Contudo, nem as suas raízes, ou o facto de ter sido vítima de uma burla o demovem do seu intento. “As pessoas não são apenas boas ou más, são uma mistura de ambos. Nós temos cinco dedos e são todos de tamanhos diferentes”, diz-me esperançoso de vir a conseguir um parceiro de negócios que o ajude realmente, desta vez. Comunicativo, apenas pára de falar por breves instantes quando passamos por uma ponte e se deixa maravilhar pelo mar, ou no momento em cruzamos montanhas com árvores que tocam o céu. A sua alegria de viver salta à vista, e nem quando o condutor resolve desviar a rota para uma estrada secundária onde o veículo avaria, Faisal perde a boa disposição: ri-se ainda com mais vontade, quando um bando de macacos nos rodeia, abre a bagageira do autocarro e tenta roubar comida.

O seu bom humor vem acompanhado de uma curiosidade do mesmo tamanho. Questiona-me sobre o facto de viajar sozinha (facto incomum para as mulheres paquistanesas que se fazem acompanhar por familiares do sexo masculino), sobre a minha indumentária (acha graça a eu estar de calções e ele de calças, enquanto apenas eu me queixo dos 35 graus abrasadores), ou sobre o divórcio na europa (no Paquistão, quando os casais têm problemas conjugais, um membro da família do marido e outro da mulher, conversam entre si e ajudam-nos a resolver as discórdias).

A conversa alonga-se e faz com que as 8.30h de viagem passem a correr. O cansaço instala-se, porém: quando chego ao hostel, atiro-me para a cama. Adormeço, quase de imediato, e recobro energias para a manhã seguinte: mais uma alvorada, mais uma oportunidade para conhecer pessoas novas e aprender.

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