Uma inesperada professora chamada Selva

“Existem duas hipóteses: ou vai até à Praia das Tartarugas num trilho pela selva, ou vai até à Praia dos Macacos seguindo o caminho à beira-mar. Cada um demora cerca de 2.30h, ida e volta”, informa-me o guarda do Parque Nacional de Penang. Havia decidido visitar a reserva natural mais pequena do mundo a conselho da Fran, uma das minhas colegas de quarto: “Vais adorar, tem um lago muito raro, de água doce e salgada. Não se misturam porque a salgada é mais densa!”.

Curiosa, sigo a recomendação dela, mas à entrada do parque o desejo de ver tudo é tão grande que anuncio ao guarda: “Vou percorrer os dois trilhos!”. Divertido, olha para mim, abana a cabeça e ri-se. Penso que estou em forma e não entendo o motivo da descrença. Contudo, mal começo a percorrer o trilho que me levará até à Praia das Tartarugas percebo que andar no meio da floresta tropical, tentando não tropeçar nas raízes que formam labirintos no chão, não é o mesmo que caminhar na Serra de Sintra.

Porém, nem o calor húmido, ou os mosquitos que teimam em me visitar, tiram valor ao passeio: estou num mundo secreto, onde o barulho dos animais é ensurdecedor, o chão está vivo, e as borboletas cruzam os meus passos. Salto riachos, ando em desfiladeiros que foram abertos pelo machado de exploradores malaios, visito o lago de água doce e salgada, e alcanço a Praia das Tartarugas. Ali, reside um santuário dedicado a estes animais, onde sou brindada com a companhia de tartarugas bebés.

Antes de regressar, tento recuperar energia relaxando um pouco na praia. Em vão: chuva começa a cair em gotas pesadas, estou demasiado cansada e reparo que já não tenho mantimentos na mochila. Vale-me um bondoso casal malaio que me dá boleia no barco que havia reservado, para os ir buscar àquele local. O condutor ainda nos faz uma visita guiada à Rocha do Coelho, à Praia dos Macacos, e à Pedra do Crocodilo. Agradecida, tento pagar pela viagem, mas não aceitam o meu dinheiro.

Aprendo assim, duas lições valiosas no mesmo dia: nunca subestimar a voz dos que me tentam aconselhar, e que existem almas bondosas em todos os lugares do mundo.

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