Kuching Wetland National Park: uma prenda da natureza

“Há dois anos atrás, uma senhora que se debruçou demasiado foi apanhada por um crocodilo e nunca foi encontrada”, alerta-nos o nosso guia antes de inaugurarmos a nossa viagem de barco pelo Kuching Wetland National Park, no Bornéu. Verdade, ou apenas uma forma de nos assustar, a verdade é que durante o passeio ninguém ousa desrespeitar as normas de segurança do barco.

Com uma área que abrange 6610 hectares, entre os estuários dos rios Sibu Laut e Salak, este parque natural é constituído por um sistema de mangais onde é possível observar uma grande diversidade de vida selvagem: logo no início da excursão, enquanto navegamos em direcção ao monte Santubong, avistamos um crocodilo que toma banhos de sol na margem do rio, e passados momentos localizamos um bando de golfinhos-de-irrawaddy. O facto de não sabermos onde é que estes cetáceos irão emergir em seguida, torna impossível a tarefa de tirar uma fotografia, contudo, ninguém consegue ficar indiferente à sua beleza exótica de nariz achatado, e as exclamações multiplicam-se enquanto nadam em nosso redor.

Deixamos o monte Santubong atrás das nossas costas e rumamos em direcção à pequena vila piscatória, construída sobre estacas, na ilha de Salak. Enquanto observamos as casas coloridas, e os barcos a seus pés, o guia vai explicando: “Conseguem ver o edifício grande com telhado verde? É a mesquita! E ao pé está o reservatório de água: a vila já tem electricidade, mas ainda não possui água canalizada”.

Continuamos viagem e entramos num braço secundário de rio, onde as margens se estreitam. A natureza continua a surpreender-nos: entre os ramos das árvores descobrimos macacos-caranguejeiros e bandos de macacos proboscis, enquanto no chão lodoso nos deparamos com um crocodilo bebé de cerca de um metro. “Onde está a mãe?”, pergunto, e a resposta brincalhona não tarda por parte de um dos elementos do grupo: “Foi às compras!”. Para que possamos observar melhor a cria o condutor do barco tenta fazê-la mover com uma corda, porém, é interrompido por uma senhora que pergunta assustada: “E se ele salta para dentro do barco?”. “Bem, nesse caso saltamos todos para a água!”, replica ele divertido.

O sol começa a pôr-se e iniciamos a nossa viagem de regresso. É distribuída fruta tropical entre os passageiros e o sabor doce da manga, mistura-se com o mel do céu. Quando a bola de fogo desaparece entre os mangais e a luz se desvanece de vez, uma constelação de pirilampos materializa-se na vegetação. “Parece uma árvore de Natal!”, exclama alguém. “Todos os dias são Natal, desde que o homem assim o queira”, responde o nosso guia. E nesse momento todos soubemos que não havia frase mais verdadeira no mundo: todos os dias são um presente que merece ser apreciado!

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