Tudo se transforma na Quinta do Pisão

Na Quinta do Pisão em Sintra, nada se perde e tudo se transforma: a lenha resultante da limpeza do espaço florestal e a venda de produtos biológicos da horta asseguram a gestão ambiental, ao mesmo tempo que permitem a inserção na vida activa daqueles trocaram o desemprego pela agricultura; as obras de arte expostas emprestam um toque de modernidade ao espaço histórico, e em troca são enriquecidas pela envolvência da floresta; os cavalos, burros lanudos, e ovelhas da raça campaniça que aqui moram fazem as delícias da criançada, mas também alertam para a importância da conservação da natureza.

Apesar de não ser muito conhecida do grande público, desengane-se quem pensa que esta fazenda é recente: o homem neolítico já cá andava, vivendo do que a terra fértil lhe oferecia, e deixando as suas oferendas na derradeira morada das grutas de Porto Covo. Quando me aproximo da entrada da caverna para tirar uma fotografia ouço um pai pedir ao filho para se afastar por uns instantes, mas tentando não perturbar a visita desta família recuso amavelmente o favor. “Aproveite, e registe o momento sem ninguém: os lugares são mais puros quando estão desertos.”, insiste ele.

Contudo, apesar da Quinta do Pisão ser um espaço de tranquilidade longe das multidões, no decorrer do meu passeio vou descortinando sinais da presença humana, que em nada retiram a beleza ao local: ao longo da história o homem aproveitou os cursos de água e o solo fecundo da região para cultivar o seu sustento, deixando a sua marca nas paisagens verdejantes. Visito assim, a eira em que o milho, o trigo e a fava eram peneirados, os fornos onde pedra calcária era transformada em cal, a capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição, os galinheiros do Casal de Porto Covo e por último, os estábulos que ainda hoje são utilizados, e onde observo o pêlo lustroso de um cavalo a ser escovado.

Parto finalmente da Quinta do Pisão, depois de uma caminhada de duas horas numa solarenga tarde de Domingo. Abandono parte da minha energia nos caminhos de terra, e em troca recebo a força de uma paisagem que me carrega baterias para a semana que se avizinha.

Já Lavoisier dizia que é assim na natureza… “nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”!

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