Split: a história dentro de muralhas

“Eu sou como um ninja! Apareço sempre que alguém está em apuros!”, exclama Goran quando estou à procura do hostel em que irei ficar hospedada em Split. Coincidência ou não, o facto é que no dia seguinte esbarro com ele, no momento em que estou à procura do Templo de Júpiter, na parte antiga da cidade.

Sendo a segunda maior localidade da Croácia, e em plena época alta, Split fervilha com turistas ansiosos por conhecer o famoso Palácio de Diocleciano, mas que dificultam o ‘trânsito’ pelas ruas históricas. Fiel à sua promessa, Goran indica-me o local que procuro: atravessando o pátio principal (Peristilo), no lado oposto à Catedral de São Domnius, encontra-se o antigo templo agora transformado em baptistério, e cuja entrada é guardada por uma esfinge negra decapitada, mas cuja imponência faz adivinhar uma era de grandiosidade.

Para melhor explicar tamanha grandiosidade terei de voltar atrás na história, até ao ano de 305, época em que o revolucionário imperador romano Diocleciano, decide abdicar voluntariamente do trono e construir um palácio à beira-mar onde passaria os seus últimos anos de vida. Habituado a uma vida faustosa, não economiza na construção desta residência, mandando trazer mármore da ilha de Brač, esfinges, e colunas do Egipto para adorná-la. Para além, dos luxuosos aposentos imperiais manda também erguer instalações militares, resultando num trapézio fortificado, com um curioso pormenor: o complexo era rodeado por muralhas e torres defensivas excepto na parte virada para a costa, já que quando regressava das suas viagens marítimas, o imperador pretendia sair do navio directamente para os seus aposentos. Deste modo, os andares inferiores do palácio eram inundados propositadamente, para que o navio de Diocleciano navegasse entre os majestosos pilares de pedra e atracasse no meio do complexo.

Com a morte do imperador, o palácio entrou em declínio, e quando séculos mais tarde os povos eslavo e ávaro conquistaram as áreas adjacentes a Split, os residentes da cidade procuraram a protecção das muralhas passando a viver no seu interior. O complexo foi assim transformado numa cidade histórica, onde da edificação original, só restam a muralha, quatro portões (baptizados com o nome de metais – Ouro, Prata, Ferro e Bronze) e algumas construções. Contudo, é precisamente esta mistura entre diferentes épocas, bem como o contraste entre o novo e o antigo, que torna a minha visita a Split tão agradável. Caminhar entre colunas romanas, lojas de produtos tradicionais com aroma a lavanda, restaurantes onde impera a dieta mediterrânica, ruelas estreitas com pedaços de história em cada porta, é uma experiência fascinante.

Ouvir a melodia da klapa (canto acapela) entoada no Vestíbulo (local onde os visitantes do palácio eram recebidos pelo imperador), subir ao campanário da Catedral de São Domnius e admirar a vista panorâmica sobre a cidade, o Mar Adriático e o monte Marjan, ou aproveitar a frescura das caves abobadadas do Palácio de Diocleciano, são apenas alguns dos prazeres que me fazem adorar Split.

No momento em que a noite cai, as colunas de mármore iluminadas ganham outro brilho, e vozes de soldados romanos ecoam pelas arcadas do palácio. Trespasso as muralhas, cruzando o Portão de Bronze, em direcção ao passeio marítimo de Riva. Aqui, assisto primeiro a um espectáculo de ópera ao ar livre, e de seguida a uma animada actuação de breakdance, numa sucessão infinita de contrastes.

Quando amanhece chega a hora da minha partida, mas fica a vontade de regressar. Junto ao Portão de Ouro, da parte de fora das muralhas, dirijo-me à estátua de Gregorius de Nin: reza a crença popular, que quem esfregar o dedo grande do pé deste ex-bispo e pedir um desejo, faz com que este se realize. Adivinham o que desejei?…

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