Cheira bem, cheira a Lisboa!

Já tiveram algum ataque agudo de ‘alfacite’? Eu já!

Tenho dias em que o meu peito se enche de orgulho por ser lisboeta e preciso urgentemente de ir a algum sítio onde tudo me recorde que sou alfacinha. Um local que cheire a sardinhas assadas, onde o fado paire no ar, e no qual se celebre o Tejo.

Hoje é um desses dias. Subo a Rua do Alecrim e aceno ao meu querido Eça de Queirós que costuma apanhar sol no Largo Barão de Quintela. Atrapalhado, devolve-me um cumprimento atabalhoado: ajuda uma senhora que sem forças lhe desmaia nos braços. Ouço alguém dizer que se chama Verdade, e que havia tido uma quebra de tensão em virtude do calor que se faz sentir.

Não me detenho. A dama aflita está bem entregue e eu preciso de tratar rapidamente da minha enfermidade. Enveredo pelo Largo Camões dizendo a mim mesma, que nada me interromperia. Exceto, a Igreja do Loreto onde paro para rezar um Pai Nosso. E o melhor pastel de nata do mundo, mais à frente no Largo do Calhariz. A vida tem destas coisas.

Passo pelo Cinema Ideal, lojas de discos de vinil repletas com nostalgia, e estabelecimentos onde se podem comprar ímanes da Sé, azulejos com a imagem da Torre de Belém, ou aventais alusivos ao Santo António pelo dobro do preço.

Mas de repente, ei-la! Aquela que foi eleita a rua mais bonita do mundo: a Rua da Bica Duarte Belo. O local onde a alegria está estendida nos estendais, e o sol anda nos carris do elétrico. O meu olhar começa a escorregar, por ali abaixo. Passa pelo grupo de amigos que toca tambor, pelos enfeites coloridos a lembrar que vêm aí os Santos Populares, pelo rapaz com o mapa da Península Ibérica estampado nas costas, e só se detém nas cascas de nós que passeiam pelo Tejo.

E teria eu navegado com elas, brincando com os pilares da ponte como um golfinho, não tivesse sido interrompida pelos meus ouvidos. “Uma coisa é um estrangeiro, tu como Português tens de dar o exemplo. Mete isso no lixo!”, dispara uma rapariga para o namorado que havia conspurcado aquela calçada premiada mundialmente, com um copo de Sagres.

Vejo-o apanhar o pedaço de plástico envergonhado, perante o ar furioso de quem o chamou à atenção, e sinto-me aliviada. Ufa! É que pelos vistos, não sou a única a ter ataques de ‘alfacite’!

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