Voar de sonho em sonho e poisar em Paracas

Quem não tem sonhos que gostaria de realizar uma vez na vida? Eu tenho bastantes, sendo um deles ver pinguins no seu habitat natural.

Por isso, esta é uma manhã especial para mim: irei às ilhas conhecidas como as Galápagos dos pobres, ou ilhas Ballestas. Aqui, não só cumprirei o meu desejo de ver pinguins, mas também terei oportunidade de observar outros animais, como pelicanos e leões marinhos.

Estas ilhas são alcançáveis do porto de Paracas, com uma viagem de apenas 30 minutos, que pode ser facilmente adquirida numa das muitas agências turísticas da cidade. Afinal, Paracas é um pequeno porto piscatório que funciona como estância balnear, e que sobrevive maioritariamente das visitas guiadas à reserva natural de Paracas e ilhas Ballestas.

Mas regressando aos pinguins, como é possível encontrar estes animais num clima como o do Peru? Isto apenas acontece, porque nesta zona do Pacífico corre uma corrente fria da Antártida. E sei disto porque já me encontro no barco, onde o guia Pablo nos fornece alguns factos relevantes.

Entre eles, explica-nos que estas ilhas são muito importantes para o país devido à matéria prima que contêm: guano. Sim, isso mesmo! Cocó de pássaro que é utilizado como fertilizante, e que em tempos antigos era exportado um pouco para todo o mundo representando uma grande fonte de riqueza para o Peru.

Tanta que segundo o nosso guia terá despertado a cobiça do Chile, esse eterno rival que teima em dizer que o pisco é oriundo do seu país. “Nós temos o melhor cocó do mundo”, exclama Pablo despertando uma risota geral.

Depois de alguns minutos de viagem, avistamos o Candelabro, uma figura gravada na areia das ilhas, e da qual ninguém sabe a origem certa. Porém, embora só tenha sido descoberta no século XIX, quando o governo decidiu cartografar as ilhas da costa de Paracas, sabe-se que é bastante antiga.

Relativamente à sua criação existem inúmeras teorias… há inclusive quem diga que foi feita por extraterrestres, embora eu ache uma explicação muito improvável. Porém, existe uma certeza: esta figura só sobrevive porque nesta zona não há chuva forte, apenas a chamada garua (chuviscos fracos).

Chegamos agora, à parte da viagem pela qual eu tanto aguardei. Pinguins!!!! À direita, à esquerda, como diriam no filme de animação Madagáscar: “Just smile and wave boys, just smile and wave!” (“Sorriam e acenem rapazes, sorriam e acenem!”).

Como se não bastasse, o guia aponta-nos um grupo de leões marinhos que descansa num rochedo perto de nós, aumentando ainda mais a minha euforia. Claro que tento manter o máximo de silêncio possível para não perturbar este frágil equilíbrio.

Sinto-me dentro de um documentário sobre vida selvagem, e regresso ao porto de coração cheio. Horas mais tarde, enquanto observo a paisagem desértica da reserva natural de Paracas ainda recordo os milhares de pelicanos que sobrevoam e cobrem o solo das ilhas Ballestas. Foi uma das paisagens mais puras que já vi e relembra-me a importância de conservar este lindo mundo em que vivemos.

Terminada esta etapa da viagem, despeço-me de Paracas e preparo-me para ir de encontro ao próximo sonho. Afinal… um sonhador nunca pára de voar!

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