Deliciosa Arequipa

O que responderiam à pergunta “De onde vens?”, quando estão entre várias nacionalidades, num país estrangeiro? Aposto que a maioria de vocês diria o vosso país de origem, certo?

Mas não é o que acontece na minha visita guiada a Arequipa, quando calha ao guia Edgar fazer a sua apresentação: “Eu sou de Arequipa, não do Peru… não se riam, olhem para este passaporte”. E perante o nosso espanto exibe um documento, onde eu esperaria que estivesse escrito ‘Perú’ na capa. Mas não… em vez disso aparece o nome ‘Arequipa’! Pois é, pelos vistos os arequipenhos tentaram separar-se do Peru no passado, e tinham inclusivamente um passaporte e moeda próprios!

Apresentações feitas, e um chá de coca depois, está na altura de começar a circular por Arequipa, de modo a conhecer alguns dos seus segredos. Pessoalmente, sempre que chego a uma localidade nova gosto de fazer uma ‘Free Walking Tour’ (visita guiada, em que os turistas pagam o que acham justo). Para além, de me fornecer informações úteis, fico a ter uma ideia dos pontos mais importantes a explorar e de sítios que não figuram nos guias turísticos. Adicionalmente viajei num autocarro noturno até Arequipa, onde cheguei às 5.30h. Como o check-in no hostel é só às 11h, mais vale aproveitar a manhã, não concordam?

Então, vamos lá! O primeiro ponto de paragem é a Igreja de São Agostinho, onde sou posta à procura de gambozinos… depois de alguns momentos a tentar enxergar a figura de um sol na porta principal, no seguimento de um desafio lançado por Edgar, descubro que era uma apenas brincadeira. De facto, existe um sol, mas gravado na porta secundária. “As crenças populares tinham de ser disfarçadas, não poderiam aparecer de forma tão evidente num edifício religioso!”, diz-nos Edgar, salientando a importância do Deus do Sol para o povo peruano.

Continuamos a caminhar em direção ao bairro El Solar. Não fico admirada quando Edgar nos diz que este é um dos pontos preferidos para as fotografias de casamento em Arequipa: o contraste entre as casas brancas e as flores vermelhas que enfeitam as portas e janelas é perfeito! A cereja no topo do bolo? A vista para um dos vulcões que rodeiam a cidade!

Na realidade Arequipa é rodeada por três vulcões (Chachani, Misti, e Pichu Pichu) cujos cumes cheios de neve avistamos agora, à saída do bairro. Um deles está activo, e se entrar em erupção, adivinham quanto tempo teremos para fugir? Meia hora? Dez minutos? Não… pelo que nos é dito, apenas 20 segundos!!! Mas o que é que se pode fazer nesse curto espaço de tempo? Tirar uma selfie???

“Também podem rezar!”, exclama Edgar a rir. Começo a pensar que ele está constantemente a gozar connosco! Seja como for, aproveita esta deixa para nos levar até à Igreja da Companhia de Jesus. “Existem túneis que vão daqui até ao Convento de Santa Catarina, e onde foram descobertos fetos”, revela o nosso guia. Aparentemente, este complexo do século XVI onde viviam freiras e donzelas que recebiam uma educação religiosa, esconde uma negra história…

Mas mais do que este facto insólito, a informação de que o convento é uma cidade dentro de Arequipa aguça a minha curiosidade. Visito-o de tarde, e percebo porque é que Álvaro Siza Vieira se inspirou nele: os frescos de cores vivas, os jardins cheios de vida, o contraste entre o vermelho vivo e o azul elétrico das casas, são um espetáculo para os meus olhos.

Tanto, que fico a explorar o local até ao final do dia e não aproveito o resto das sugestões de Edgar: a catedral da Praça de Armas, o Museu de Santuários Andinos (onde está exposta a múmia inca Juanita), e o Museu Arqueológico UNSA (gratuito!). Mais fica, para visitar numa próxima vez!

A visita guiada termina perto da hora de almoço: Edgar dá-nos a provar Queso Helado (um delicioso gelado de leite) e recomenda que almocemos no mercado local de modo a provarmos a cozinha de Arequipa. Entre as suas sugestões fixo o Lomo Saltado, um prato peruano de carne de vaca com refogado de cebola e tomate, que é servido com arroz e batatas fritas.

Experimento-o, e acho que é delicioso. A dose, contudo, dá para três pessoas! Recordo as palavras de Edgar: “Se passarem 15 dias em Arequipa, vão levar mais cinco quilos para casa”. Dou-lhe razão, mas penso cá para mim, que pelo menos serão cinco quilos de felicidade pura!

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