Vale do Colca: um tesouro de valor incalculável!

Sabiam que a parte mais funda do Vale do Colca no Peru, é duas vezes maior que a do Grande Canyon? É que eu só fiquei consciente deste facto quando estava a programar a minha visita ao local, com o objetivo de ver a maior ave voadora do mundo, o condor-dos andes.

Como estou limitada em termos de tempo, decidi fazer uma​ excursão de um dia, em vez do trekking de dois dias, bastante popular entre turistas. Se recomendo a visita abreviada em vez do trekking? Bem, isso dependerá tanto do tempo que tenham disponível, bem como da vossa preparação física (terão de fazer uma subida de três horas), mas na minha opinião o trekking será sempre preferível pois permite conhecer melhor o vale.

A parte mais difícil da minha visita é mesmo a hora de começo: às 3.30h estou a entrar no autocarro da agência do tour, em Arequipa. Auchhh!!! São-nos entregues mantas, para nos protegermos do frio que nos chegará nas próximas horas. Afinal, iremos começar a aumentar a nossa altitude!

A primeira paragem acontece por volta das 7h da manhã para tomar o pequeno-almoço: pão com compota e manteiga, bebida de quinoa e muito chá de coca a acompanhar, para colmatar os efeitos da altitude. Por falar em quinoa: sabiam que há cerca de dez anos atrás, este cereal era considerado a comida dos​ pobres no Peru? Segundo o nosso guia, a quinoa preta (uma das variedades mais caras em Portugal) era inclusivamente destinada só para os animais, mas desde que a NASA utilizou este alimento para os seus astronautas o seu preço subiu exponencialmente.

De estômago cheio partimos em direção a Chivay, uma pequena cidade turística que é a porta de entrada para o Vale de Colca. Um aviso: se não querem ficar com a carteira mais leve, ou ser assediados, não saiam do autocarro aqui… é que a quantidade de vendedores que juram que têm as camisolas de lã mais baratas, ou de peruanos com trajes típicos que vos vão ‘oferecer’ a oportunidade de tirar fotos com uma alpaca é imensa.

A paragem neste local é curta: às 9h em ponto temos de estar no miradouro do Vale de Colca para observar o voo dos condores (que costumam estar mais activos a esta hora), facto que cumprimos escrupulosamente. Com muita pena minha temos apenas 45 minutos para permanecer neste local… o espetáculo de ver uma ave tão majestosa a planar sobre as montanhas não deveria ser apressado! Este é um dos motivos pelos quais vos recomendo o trekking em detrimento de uma visita mais curta.

Gasto praticamente, toda a bateria do meu telemóvel aqui, e quando chegámos às termas (incluídas no trajeto, mas com entrada opcional por dez soles ~ 2.7 euros) peço se a posso carregar num café, já que opto por não ir a banhos e ficar à espera dos meus colegas. Para quem ficar interessado em experimentar banhar-se nesta água quentinha e não tiver fato de banho, não se preocupem: é possível alugar tudo o que necessitam neste local.

Contudo, a fome já aperta e logo está na altura de almoçar. À nossa espera está um buffet onde podemos experimentar vários pratos de cozinha peruana e repetir a dose quantas vezes quisermos. O preço do almoço (30 soles ~ 8 euros) não está incluído no tour, porém, é bastante acessível.

Sirvo-me de uma sopa de quinoa como entrada, e em seguida experimento pimentos assados recheados e carne de alpaca (surpreendentemente macia!) acompanhados com batata doce e arroz. Juro-vos… as melhores batatas doces que comi até agora são do Peru!

Está na hora de regressar a Arequipa, todavia o caminho de regresso não me parece aborrecido: pela primeira vez observo vicunas! Bastante mais frágeis que as seus ‘primos’ alpacas ou lamas (sendo que os últimos são inclusivamente utilizados como animais de carga), são muito valiosas.

Para terem uma ideia, um quilo da sua lã vale perto de 500 euros, pois é tão fina que sete dos seus pêlos são mais finos que um fio de cabelo de um bebé! O facto de serem animais sensíveis torna a operação de tosquia igualmente delicada: os peruanos fazem cordões humanos para as apanhar e têm cerca de três minutos para lhes retirarem o pêlo. Como ​podem imaginar este é um animal extremamente protegido, sendo que quem os atropelar paga uma multa elevada, e quem os caçar está sujeito no mínimo a sete anos de prisão.

Na despedida, paramos no miradouro de São Miguel para observar o vale uma​ última vez. Ao longe, um vulcão entra em erupção expelindo uma nuvem de fumo negro. Olho para ele, e penso que este espetáculo é muito mais valioso do que qualquer casaco de pêlo de vicuna: até breve Vale do Colca!

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