À procura do Drácula

O que é que não pode faltar numa viagem à Transilvânia? Uma visita ao Castelo de Peleş, pois claro! Estavam a pensar que iria mencionar o Castelo de Bran, suposta casa do Conde Drácula? Também o visitei, mas não foi o ponto alto do meu dia. Mas já lá vamos!

Primeiro, algumas informações úteis. Pernoitando em Brasov, é possível reservar transporte privado para visitar três castelos num dia: Peleş, Bran e Rasnov. Também é possível ir de transportes públicos (existem autocarros para cada um destes locais) mas para quem tem tempo limitado é bastante prático, já que de outra forma não é possível fazer este programa num dia só. Através do hostel onde fiquei hospedada, reservei por 90 lei (aproximadamente 20 euros) um táxi que me transporta, juntamente com três colegas: Katy, Shane e Paolo.

Apesar de não nos conhecermos anteriormente, a empatia foi imediata! Tanta, que a conversa se soltou e foi parar ao nosso condutor Costei, que já não sabia como havia de evitar as nossas perguntas: “Como é a ceia de natal na Roménia?”, “Qual é o seu prato preferido?”. Nós a querer saber mais sobre a vida romena, e ele a fugir das nossas balas, tal como fazia quando era sniper no Afeganistão. Sim, porque essa revelação foi uma das poucas coisas que conseguimos arrancar dele. É impressão minha, ou os cidadãos de países que já estiveram sujeitos a regimes comunistas são extremamente reservados?

Chegamos ao Castelo de Peleş por volta das 10h, depois de uma hora de viagem. É-nos dada uma hora e meia para a visita, e confesso que esta é uma desvantagem: aquela hora da manhã, já se encontrava uma pequena multidão alinhada para comprar o bilhete de ingresso e quando finalmente, somos atendidos reparamos que não iremos ter tempo para visitar tudo.

Felizmente, existe a opção de comprar ingresso apenas para o primeiro andar, e é o que fazemos. Uma vez lá dentro, lamentamos a falta de tempo para explorar melhor: todas as salas do castelo têm uma decoração diferente, que vai desde a inspiração veneziana, à árabe. Conseguem imaginar o que é olhar para o arco-íris de cores que emana de um lustre em cristal murano para depois, noutro compartimento, observar os motivos geométricos que são uma réplica dos encontrados em Alhambra?

Tento registar o máximo de imagens para vos mostrar mas, quando me preparo para tirar fotos à armadura de um cavalo na sala de armas sou avisada: “Comprou o bilhete que dá direito a tirar fotos?”. Pois é, afinal o uso de máquina fotográfica está restringido a quem pague. Ainda assim, consigo contornar as regras em algumas salas, pedindo com jeitinho aos vigilantes.

Deixamos Peleş com vontade de explorar mais, e cerca de 40 minutos depois vemos emergir, por entre o nevoeiro que beija as montanhas, as torres do Castelo de Bran. Não vou negar que é uma visão mística, e percebo de imediato porque é que o escritor Bram Stoker se inspirou nele para escrever o romance Drácula. O problema é que este conto é pura ficção e acaba por apagar a verdadeira história do castelo.

Vamos lá desfazer alguns mitos! Primeiro, o homem que deu origem ao personagem Drácula nunca foi um vampiro: Vlad, era um cavaleiro cristão que lutava o expansionismo islâmico na Europa. Era implacável contra os seus inimigos, e sim, empalava pessoas mas nunca bebeu o sangue de ninguém. Aliás, ele era considerado uma espécie de Robin Hood pelo povo romeno, porque protegia os pobres e castigava os ricos.

Mas se ele se chamava Vlad, de onde vem o nome Drácula? Drácula vem de Dracul, que era o apelido do pai de Vlad por pertencer à Ordem dos Dragões (Dracul). E é verdade que Vlad vivia neste castelo? Não, na realidade nem sequer existem provas concretas de que ele tenha passado por lá.

Contudo, o romance de Stoker eternizou este sítio como a casa do Drácula, de tal forma que não conseguimos deambular livremente entre as várias salas! Estamos continuamente a esbarrar com alguém e no final da visita descubro que fiquei sem a carteira… Ainda a procurei mas em vão, pois não pus mais a vista no dinheiro que trazia comigo. Felizmente, não tinha os documentos lá dentro! Juntando isto, ao facto de praticamente não existir mobília dentro do castelo, devo confessar que gostei muito mais de visitar Peleş.

O facto de ter ficado sem a carteira foi atenuado pelo bom humor dos meus colegas e de Costei, que para além de me pagarem o almoço, fizeram os possíveis para me arrancar gargalhadas durante o resto do dia. Visitar a fortaleza de Rasnov também ajudou: do topo avistamos casinhas de boneca com os telhados cereja tão típicos da Roménia, e a floresta envolta no nevoeiro.

“Diz carteiraaa!!! “, grita Paolo enquanto me tira uma foto. Coincidência ou não, a foto é uma das melhores que tenho até agora da viagem. Quanto ao Drácula… Esse continua desaparecido com o meu porta-moedas, na bruma da Transilvânia!

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