A cidade arco-íris

Os hosteis e pousadas de Sighişoara estavam completamente esgotados para o último fim-de-semana de Julho. Motivo? A feira medieval que se realiza anualmente e atrai milhares de turistas à cidade. A solução seria alugar um quarto por Airbnb, o que até poderia ser uma vantagem: teria oportunidade de falar com alguém que me explicasse como é viver na localidade que deu à luz Vlad Tepes.

“Sighişoara é muito bonita mas demasiado pequena. Toda a gente conhece toda a gente. Esse foi um dos motivos que me levou a alugar um quarto em minha casa”, confessa Roxanna, a minha anfitriã. E como a conversa flui livremente, fico a saber que o marido da simpática romena foi o segundo motivo para terem começado a receber hóspedes: oriundo do Reino Unido, ter companhia internacional foi o recurso encontrado para colmatar a solidão numa localidade onde a maioria dos habitantes não sabe falar inglês.

Depois de um chá regado a mel e uma hospitalidade sem igual (fui presenteada com ovos biológicos para o almoço e um frasco de compota caseira), despedimo-nos e vamos cada uma à sua vida. Roxanna tem de ir a casa da mãe noutra cidade, e eu decido começar a explorar a cidade medieval.

Do bairro onde me encontro ao centro histórico é um pulinho, e em dez minutos estou a passar pelo portão Catherine que me deixa entrar na cidadela. Assim que passo as muralhas, é impossível não me querer perder nas ruas de cores garridas! As casas pintadas em tons vivos, os cortinados que enfeitam as janelas, ou os vasos de flores que contrastam com as paredes nuas são uma delícia para o olhar. Mas o ponto alto é decididamente, subir à Torre do Relógio e ver um mundo em miniatura a meus pés! Numa das proteções da torre encontro uma pequena placa com uma seta: 7431 km para Nova Iorque. Será uma premonição para a minha próxima viagem?

Não faço ideia, mas a avaliar pela quantidade de pessoas que vejo lá em baixo, a cidade parece-me tão atarefada como a nova-iorquina! A feira medieval encheu Sighişoara de gente que se aglomera na praça principal (Citadel Square) para ver demonstrações de danças tradicionais, comprar artesanato, ou até treinar tiro com arco.

Cansada e a precisar de me afastar um pouco da multidão, decido jantar na Casa do Drácula, um restaurante ao pé da Torre de Relógio, conhecido por ter sido a casa que viu o famoso Vlad Tepes nascer. A comida é servida com requinte e o Sarmale com polenta e molho de alho, são o conforto que o meu estômago precisa. Tanto que aproveito para dar mais uma volta pela cidade e subir as Escadas dos Eruditos (Scholar’s Stairs), uma escadaria coberta, que foi utilizada em tempos medievais para proteger os estudantes na sua ida para a escola, ou os fiéis que seguiam para a igreja no topo da colina (Church on the Hill).

Com o fim do dia acho que é tempo de regressar à casa da minha anfitriã: nunca tive bom sentido de orientação e sei que será mais fácil regressar enquanto ainda não é noite cerrada. Consigo encontrar facilmente o bairro da morada, e penso para mim que estou a fazer progressos até que meto a chave à porta. Não abre… Mas que raio?! Faço mais umas quantas tentativas até que uma velhota sai do apartamento em frente e começa a vociferar uma data de palavras, das quais só entendo: polícia!

Pois é, parece que ainda não foi desta que o meu sentido de orientação melhorou! Depois de um telefonema para Roxanna descubro que afinal, havia entrado no prédio errado… E claro, podem imaginar o que os moradores pensaram quando se aperceberam que havia alguém a tentar abrir uma porta de um vizinho. Felizmente, tudo se resolve! No dia seguinte, não vejo o sol aos quadradinhos, mas sim a beijar as casas da cidade arco-íris antes de partir para a minha próxima aventura. Que surpresas me estarão reservadas?

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